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Revista Iberoamericana de Educación
Revista Ibero-Americana de Educaçao

Nº 24
Septiembre – Diciembre 2000 / Setembro – Dezembro 2000

TIC en la educación
TIC na educação

RIE

Autores: Javier Echeverría; León Trahtemberg; João Pedro da Ponte; J. Luis González; Margarita Almada; Horacio N. Santángelo; Alberto Maiztegui, Eduardo González, Hugo Tricárico, Julia Salinas, Anna Pessoa de Carvalho, Daniel Gil.
Edita: Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI)
Número de páginas: 249
Encadernação: rústica
Tamanho: 16,5 x 24 cm.
Periodicidade: cuatrimestral
ISSN: 1022-6508-X
Preço:
Subscrição anual (3 números): 60 Euros
Número avulso : 25 Euros

   

 
 

Resumo

Se as TIC, juntamente com outras novas tecnologias, estão mudando profundamente a sociedade em que vivemos, não seria mais lógico se perguntar pelo sistema educativo que necessita essa nova sociedade, em lugar de fazê-lo por como utilizar essas tecnologias no sistema atual? Se a resposta for positiva, que hipóteses se podem estabelecer para definir projetos de novos sistemas educativos? Como realizar a transição? Que condições sociais, políticas e econômicas se devem dar para produzir uma mudança de tal magnitude e transcendência?

Neste número busca-se dar resposta a algumas das questões que trata a incorporação das novas tecnologias da informação e da comunicação ao sistema educativo tais como: quais são os modelos pedagógicos idôneos para o uso das novas tecnologias? Como se introduzem as TIC não só na sala de aula, como também nos currículos do ensino obrigatório? O que se deve ensinar e como?… Os argumentos expostos pelos autores dos artigos publicados neste volume mostram a possibilidade de encarar a tomada de decisões a partir de propostas concretas e fundamentadas na experiência.

Estas são algumas das perguntas tratadas aos autores convidados para participar deste número da Revista Ibero-americana de Educação. Certamente, nem todas elas foram respondidas, mas as respostas obtidas mostram a possibilidade de encarar a tomada de decisões a partir de propostas concretas e fundamentadas na experiência.

Sumário

MONOGRÁFICO: TIC en la educación
MONOGRÁFICO: TIC na educação

INTRODUCCIÓN

Educación y tecnologías telemáticas
Javier Echeverría
Profesor del Instituto de Filosofía del Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), Madrid, España.

El impacto previsible de las nuevas tecnologías en la enseñanza y la organización escolar
León Trahtemberg
Docente y director general del colegio privado «León Pinelo», y fundador y profesor de la Escuela de Directores y Gestión Educativa del Instituto Peruano de Administración de Empresas (IPAE).

Tecnologias de informação e comunicação na formação de professores: Que desafios?
João Pedro da Ponte
Professor do Departamento de Educação e Centro de Investigação em Educação, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal.

Perspectivas de la «educación para los medios» en la escuela de la sociedad de la comunicación
J. Luis González
Pertenece al Gabinete de Comunicación y Educación de la Facultad de Ciencias de la Comunicación, Universidad Autónoma de Barcelona, donde colabora como coordinador docente del Master Europeo en Comunicación y Educación. Además es profesor en el área de Ciencias Sociales del Instituto de Enseñanza Secundaria Lluís Companys, Barcelona, España.

Sociedad multicultural de información y educación. Papel de los flujos electrónicos de información y su organización
Margarita Almada
Investigadora titular y coordinadora del seminario «Tecnologías de la información y educación virtual», Centro Universitario de Investigaciones Bibliotecológicas, Área de Información y Sociedad, Universidad Nacional Autónoma de México.

Modelos pedagógicos en los sistemas de enseñanza no presencial basados en nuevas tecnologías y redes de comunicación
Horacio N. Santángelo
Profesor titular de Psicología Educacional en la Universidad de Mar del Plata, Argentina.v

OTROS TEMAS / OUTROS TEMAS

La formación de los profesores de ciencias en Iberoamérica
Alberto Maiztegui
Presidente de la Academia Nacional de Educación, Argentina.
Eduardo González
Profesor de la Universidad Nacional de Córdoba, Argentina.
Hugo Tricárico.
Profesor de la Escuela de Humanidades de la Universidad Nacional de San Martín, Argentina.
Julia Salinas
Presidenta de la Asociación de Profesores de Física, Argentina.
Anna Pessoa de Carvalho
Professora da Faculdade de Educação na Universidade de São Paulo, Brasil.
Daniel Gil.
Profesor del Departamento de Didáctica de las Ciencias Experimentales y Sociales de la Universidad de Valencia, España.

DOCUMENTOS / DOCUMENTOS

X Cumbre Iberoamericana de Jefes de Estado y de Gobierno de los Países Iberoamericanos, «Declaración de Panamá»

X Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo dos Países Ibero-americanos, «Declaração do Panamá»

NOVEDADES EDITORIALES / NOVIDADES EDITORIAIS

Reseñas de libros y revistas

Fragmento

Introdução

"A conjunção das tecnologias da informação e da comunicação está envolvendo o mundo... em uma potente rede de difusão de conteúdos. A irreversível rapidez das mudanças econômicas está modificando as relações sociais em todos os âmbitos e não parece que vá deter-se ante as portas da escola. A suposta centralidade do conhecimento como variável diretamente produtiva, que configura a chamada "economia do conhecimento", põe às instituições educativas sob a incómoda lupa do mercado. E desde o balcão do mercado se afirma que a escola está obsoleta e que há que revisar a função própria da escola, a definição, transmissão e legitimação dos conhecimentos socialmente considerados relevantes"1.

As afirmações de F. Caivano nos situam ao menos ante duas evidencias em relação às tecnologias da informação e a comunicação na educação:

1- Usando uma expressão corrente, podemos dizer que as TIC vieram para ficar. O mundo econômico, uma boa parte dos científicos e dos governos apostaram por elas. As políticas públicas ocupam um lugar reservado entre as questões estratégicas para a sua implantação e uso. Tudo isto fez que passem a formar parte da vida quotidiana de uma parte importante da população dos nossos países e, conseqüentemente, de sua educação.

2- A profusão de estudos sobre a utilização das TIC nos processos educativos e a (lenta) incorporação das mesmas às atividades administrativas e pedagógicas dos sistemas educativos não conseguiram modificar a idéia de que "... a escola é uma instituição envelhecida em uma sociedade moderna e em contínua mudança"2. Parece ser que aquelas decisões estratégicas não conseguiram estabelecer um correlato no âmbito educativo, ou, ao menos, que este não adquiriu o desenvolvimento desejável desde o ponto de vista dos resultados esperados.

Um breve repasso a algumas das questões pendentes de solução nos mostra, a título de exemplo, as carências que pelo momento limitam a exploração destas tecnologias em todas suas possibilidades, potencialidades e capacidades.

Se as TIC, junto com outras novas tecnologias, estão mudando profundamente a sociedade em que vivemos, não seria mais lógico perguntar-se pelo sistema educativo que necessita essa nova sociedade em lugar de fazê-lo por como utilizar essas tecnologias no sistema atual? Se a resposta ao anterior é positiva, quais hipóteses se podem plantear para definir projectos de novos sistemas educativos?, como realizar a transição?, que condições sociais, políticas e econômicas devem dar-se para produzir uma mudança de tal magnitude e transcendência?

Por um lado, estuda-se às TIC como possíveis instrumentos didáticos e se enfatiza nas habilidades necessárias para a sua eficiente utilização. No entanto, perguntas como: quais são os modelos pedagógicos idôneos ou convenientes para o uso destas tecnologias?, como se introduzem as TIC não somente na aula senão nos currículos do ensino obrigatório?, o que se deve ensinar e como? unicamente obtém respostas provisionais que não se traduzem em medidas concretas de forma generalizada.

Também se pode encontrar bastante literatura que faz referência às necessidades de formar e capacitar aos docentes no uso destas tecnologias. Não obstante, as propostas adolescen sempre das mesmas limitações: não definem o perfil dos docentes que teriam que formar-se/capacitar-se; não incorporam as TIC aos currículos de formação-capacitação; não têm solução ao problema dos tempos de formação em relação com os do desenvolvimento tecnológico.

Como se selecciona uma informação significativa e ajustada às necessidades de cada situação pedagógica? Não esqueçamos que esse processo o realizam hoje em dia distintas instâncias (administrações educativas, editoriais, docentes, pais) e em uns tempos que permitem a procura, compilação, classificação e adequação curricular, posta a disposição e uso de dita informação. Pelo contrário, as TIC permitem ao usuário o acesso directo a uma informação que não tiveram nenhum tratamento para adequá-la às suas necessidades formativas.

Segundo seu relatório ao Conselho e ao Parlamento Europeu, na Comissão Européia "…a rapidez das inovações tecnológicas apenas permite que se possa dispor da perspectiva necessária para ter em conta as dimensões organizativa, social e cultural dos usos. Então, contrariamente à rapidez das múltiplas inovações tecnológicas assim como à velocidade com que tudo se converte em obsoleto, o ritmo da evolução da educação é lento". Qual é a solução a este dilema?

Estas são algumas das questões que planteamos aos autores convidados a participar neste número da Revista Ibero-americana de Educação. Naturalmente, nem todas são respondidas, mas as respostas obtidas mostram a possibilidade de encarar a toma de decisões a partir de propostas concretas e fundamentadas na experiência.

Javier Echeverría, recente Prémio Nacional de Ensaio de Espanha, propõe a implantação de um novo sistema educativo no 'terceiro entorno', que é como denomina ao espaço social que se cria como resultado da ação das tecnologias da informação e das telecomunicações para as interrelações humanas. Logicamente, esse 'terceiro entorno' requer o desenho de cenários educativos que permitam aprender a manejar-se e a intervir no mesmo, sendo necessário contar com uma política educativa específica para o seu desenvolvimento.

O pedagogo peruano León Trahtemberg, opta pelas experiências a pequena escala como fórmula para a procura de respostas satisfatórias aos problemas que planteia a introdução das TIC no âmbito educativo. Para isto se baseia na necessidade de investigar as possibilidades e requerimentos dessas novas tecnologias em situações controladas, antes de postular políticas que poderiam devir em decepções tais como as ocorridas com o rádio ou a televisão.

Uma integração profunda é ao mesmo tempo crítica das TIC nas actividades educativas é o que se planteia como objetivo do seu trabalho João Pedro da Ponte, catedrático e investigador português. Para isto elabora o seu artigo a partir da análise que realiza sobre a influência das novas tecnologias na sociedade atual e na escola. O trabalho se completa com um exame das consequências que a introdução das TIC está tendo na profissão docente, e com a apresentação de alguns programas de formação inicial e contínua de professores que incorporam uma perspectiva tecnológica.

J. Luis González Yuste, do Gabinete de Comunicação da Universidade Autónoma de Barcelona, reivindica um planteio educativo que recupere o tratamento pedagógico e didático destas tecnologias. Para isto postula o abandono de enfoques 'tecnicistas' e a superação dos desajustes-resistências à mudança que tradicionalmente bloquearam a integração das TIC nos processos educativos.

Margarita Almada de Ascencio, da Universidade Nacional Autónoma de México faz referência aos novos papéis que desempenham os profissionais de informação em relação a sua colaboração em projectos multidisciplinares de educação e na educação permanente, à universidade do futuro e ao papel das bibliotecas digitais na educação presencial, à distância e virtual.

A seção monográfica se encerra com um artígo do professor argentino Horacio Santángelo, das Universidades Tecnológica Nacional e de Mar del Plata. Nele tenta responder ao interrogante sobre a necessidade de pensar nos modelos pedagógicos quando se tomam decisões sobre as TIC, especialmente em educação a distância. A resposta vem dada através de uma proposta de ação formativa a distância, na qual se apresentam tanto o componente tecnológico necessário para o seu desenvolvimento como o modelo pedagógico que dá sustento à mesma.

A seção Outros Temas recolhe nesta oportunidade uma valiosa aportação de um significativo grupo de académicos ibero-americanos. A partir das contribuições da investigação educativa, realizam uma análise da situação de formação do professorado de ciências nos níveis de ensino de primeiro e segundo grau nos nossos países. Daqui surgem as bases para a formulação de propostas que permitam impulsar a renovação curricular.

Como sempre, o número se completa com a seção Documentos, que nesta oportunidade reproduz a declaração da última Cume Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, e com as habituais resenhas das Novidades Editoriais recentemente chegadas a nossa redação.

1 Caivano, Fabricio: "Notas ingenuas para una utopía educativa". El País, 25/09/2000
2 Ibid.

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