| Abril 2000 |
Boletín del Programa Cooperación en Educación Superior |
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| Organización de Estados Iberoamericanos |
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ContenidosProyecto de Intercambio y Movilidad Académica - PIMA Dando continuidad a las actividades iniciadas en octubre de 1999, se convocó la 2ª Reunión del Grupo de Trabajo del Proyecto de Intercambio y Movilidad Académica (PIMA) los días 15,16 y 17 de marzo en Montevideo. Continuando con las intervenciones y ponencias que fueran presentadas en el Congreso Internacional sobre la Universidad Iberoamericana, celebrado en Valencia en octubre de 1999, ofrecemos los siguientes documentos que abordan desde diferentes ángulos y experiencias el tema de la cooperación universitaria en Iberoamérica. |
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A Reforma de Córdoba e seu significado para a construção do espaço acadêmico comum
Pode-se afirmar que a identidade da universidade latinoamericana, começa a ser construída ao início do século, através da Reforma de Córdoba. As palavras de ordem: Pela liberdade dentro da aula e pela democracia fora dela, mostram a ampliação de horizontes e a extraordinária visão antecipatória dos estudantes que sustentaram as propostas de 1918, e que se disseminaram pelo continente. As universidades públicas, desejosas de uma nova situação social e política para as nações, que, então, se transformavam em estados nacionais, ao longo do século, transformam-se elas também, identificadas com uma missão que transcende os afazeres puramente acadêmicos. Esta missão desenvolve o sentido de uma universidade atuante na produção e disseminação do conhecimento e na prática do alargamento de fronteiras entre os povos, conservando sua visão crítica, como consciência das comunidades, na defesa dos princípios de uma cultura solidária de manutenção da paz entre os povos.
Retomando a idéia da Reforma, é preciso esclarecer que, diferentemente dos países de língua espanhola que tiveram universidades implantadas logo após o descobrimento, como Santo Domingo que data de 1538, no Brasil, a Universidade surge apenas neste século, em 1920. O ensino superior, a exemplo do sistema francês napoleônico, se fazia em escolas ou faculdades isoladas ou, diretamente na Europa, solução restrita aos filhos das elites e à nobreza transplantada.
As universidades que cedo surgiram na América, contudo, cristalizaram em seu agir, formas de governo e de transmissão de conhecimentos que perpetuavam o atraso, a dependência e o sub-desenvolvimento. Contra estes, insurgem-se os estudantes de Córdoba que lançam o Manifesto com um ideário de força renovadora da universidade latino-americana.
O manifesto de Córdoba, tinha como postulações básicas: o co-governo estudantil, a autonomia política, docente e administrativa, a eleição dos dirigentes universitários, a seleção dos docentes através de concursos públicos, a fixação de mandatos com prazo fixo e a apreciação da eficiência e da competência do exercício do cargo, a gratuidade do ensino superior, a implantação de cátedras livres ao lado de cursos livres podendo os estudantes optarem pelo ensino na cátedra ou no curso, a livre frequência às aulas, a liberdade docente e responsabilidade política com a nação e a defesa da democracia.
Resguardadas as distâncias no tempo, e considerado o momento histórico vivido, observa-se que os preceitos de Córdoba fundamentaram as chamadas novas universidades do continente, com repercussões nas, então, nascentes universidades brasileiras. Ao longo do século XX , as reformas da universidades, foram objeto das disputas estudantís, cujas bandeiras de luta política traziam o olhar voltado para os princípios de Córdoba.
Devo destacar, ainda, que os reflexos de Córdoba se fazem sentir, principalmente, na construção do sentimento de uma identidade latinoamericana, essencial para a sedimentação dos alicerces da construção do campo acadêmico comum.
Darcy Ribeiro ao escrever em 1969 A universidade Necessária, dedicava um capítulo à discussão das reformas necessárias, iniciando com a de Córdoba. É dele a citação do manifesto que reproduzo a seguir, destacando esta identidade em construção:
Desde hoje o país conta com uma vergonha a menos e uma liberdade a mais. As dores que restam são as liberdades que faltam. Cremos não nos equivocar-nos, as ressonâncias do coração nô-lo dizem: estamos pisando sobre uma revolução, vivemos uma hora americana.
Assim, em latinoamérica podemos falar em um modelo de universidade humboldtiano, ou universidade da produção do conhecimento, em um modelo francês napoleônico, da faculdade isolada e autosuficiente mas, não podemos jamais esquecer, que nossa universidade se destaca pela presença de um modelo político latinoamericano que perpassa o ambiente acadêmico, projetando para a sociedade os anseios de democracia e justiça social. A presença forte desse modelo tem garantido as taxas de liberdade, renovação e inovação do aparato universitário em nossas sociedades.
Significados da cooperação Internacional
Assim, a cooperação internacional, como decorrência do espírito de integração propugnado em Córdoba, antes de ser uma imposição do reordenamento capitalista, foi e é, para as universidades latinoamericanas, uma questão de identidade.
Falando em nome das universidades brasileiras, contam-se inúmeras ações de intercâmbio. Os primeiros cursos de nossa universidade, por exemplo, que surgem ao final do século passado, já tinham a preocupação de trazer o professor estrangeiro para integrar o seu corpo docente. O intercâmbio passa a se tornar efetivo quando os nossos professores passam a realizar estágios no exterior e, posteriormente seus mestrados e doutorados. O fluxo inicial provinha da Europa e dirigia-se para a Europa. A partir dos anos 50 o fluxo tem a direção de Norte América e hoje, é difuso, entre Europa, América do Sul e Norte América. Este fluxo torna-se constante. O ir e vir, a troca de conhecimentos, o acesso à publicação e à pesquisa mais recente, formaram a massa crítica que hoje orienta os programas de pós-graduação e graduação e que vê com bons olhos os programas de cooperação internacional.
Desde os anos 60, e até os dias de hoje, sob o comando do Ministério de Relações Exteriores, as universidades públicas brasileiras receberam levas sucessivas de estudantes de países da América Central e do Sul, que realizaram sua formação profissional nas mais diversas áreas do conhecimento. Lembro nesse momento, que em períodos de restrições políticas, inúmeros acadêmicos ilustres, e vários estudantes, receberam acolhida em universidades dos países irmãos. Nesses casos, o fluxo também foi de dupla via, sendo que o país que no momento vivia seu momento democrático recebia o acadêmico, ou o estudante, do país que entrava em processo ditatorial. Em que pese o lado negativo desse fato, é justo dele resgatar o primeiro grande processo de integração cultural que ele permitiu. Através das publicações conjuntas, circulou entre os nossos países o sentimento comum da indignação com a perpetuação de injustiças, bem, como o sentimento comum da luta pela democracia, não só na Universidade, mas tal como proposto em Córdoba, em toda sociedade.
Com todas estas experiências em curso mais, a proximidade entre os países, especialmente aqueles da Bacia do Prata, não seria de estranhar a presença em nosso corpo acadêmico, de inúmeros pesquisadores que se dedicam à educação comparada ou à pesquisa sobre o Mercosul, ou o Conesul; não seria estranho dizer, também, que, além das assessorias de relações internacionais e interinstitucionais que fazem parte da estrutura acadêmico-administrativa de nossas universidades, muitas delas, como a UFRGS, por exemplo, possuem um Instituto Latinoamericano de Estudos Avançados (ILEA/UFRGS/Brasil) ou de estudos culturais Iberoamericanos.
Com isto, quero reafirmar que as universidades sempre tiveram um objetivo de internacionalização e o colocaram em prática através de ações, muitas vezes de caráter apenas solidário, mas, o fizeram com gestos concretos que giraram em torno do produzir e dividir conhecimentos, metodologias científicas e avanços tecnológicos.
Assim, o significado da cooperação internacional tem a face do desenvolvimento multicultural e multifacetado da universidade e da sociedade que a abriga. Dessa forma, pode-se afirmar que a cooperação não se dá apenas na pesquisa e produção de conhecimento, porque ela se faz no ensino e na extensão igualmente. Através dos seminários, conferências e congressos a cooperação internacional toma sentido e se amplia; através das redes telemáticas e informáticas, das redes Mercocidades e cidades educadoras, da educação à distância e, em tantas outras formas mais, ou menos, tradicionais, ela se recria e reconfigura, caraterizando o sentido e a direção internacionalizada de cada universidade, ampliando os horizontes e fronteiras de cada membro de sua comunidade.
Associação de Universidades do Grupo Montevideo AUGM- e a cooperação internacional para a construção do espaço acadêmico comum
Nesse espírito, da cooperação internacional, surge a Associação de Universidades do Grupo Montevideo (AUGM), dando guarida à uma prática existente de fato no âmbito geopolítico da América Latina. A AUGM é hoje um espaço acadêmico comum, regional, de cooperação científica e tecnológica, educativa e cultural que se propõe a contribuir para o fortalecimento das universidades públicas da região do Mercosul Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Ao fazê-lo, consolida a massa crítica dos recursos humanos existentes, aproveita as vantagens comparativas das capacidades instaladas, promove a investigação e a inovação mas, principalmente, possibilita a interação de seus membros com a sociedade em seu conjunto, refazendo no seu agir, os princípios de Córdoba.
São seus objetivos, ainda, melhorar a gestão das universidades integrantes da Associação, trabalhar na direção da formação continuada e difundir os avanços do conhecimento que contribuam para a modernização de nossas sociedades.
A AUGM, organização não governamental, civil, sem fins lucrativos, foi criada em Montevideo em 1991, sendo integrada por 14 universidades de 4 países, a saber: (Argentina) Universidad de Buenos Aires, Universidad Nacional de Entre Ríos, Universidad Nacional de La Plata, Universidad Nacional de Rosario, Universidad Nacional de Córdoba, Universidad Nacional del Litoral; (Brasil) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de São Carlos, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Paraná, Universidade de Campinas (recém ingressante); (Paraguai) Universidad Nacional de Asunción; (Uruguay) Universidad de La Republica.
Cinco grandes programas vêm consolidando a esfera do espaço comum regional: Núcleos Disciplinares, Comitês Acadêmicos, Mobilidade Acadêmica, Cátedras UNESCO e Jornadas de Investigação para Jovens Cientistas. Estes programas envolvem atividades de cooperação com a responsabilidade de cada universidade. Examinando mais atentamente, cada um dos programas e sub-programas pode-se ter uma idéia sobre a responsabilidade de cada instituição membro.
Programa Núcleos Disciplinares (ND)
Estão ativos 13 grupos técnico-acadêmicos que desenvolvem uma disciplina de interesse comum. Essa disciplina ou área temática se caracteriza por ser uma área forte na universidade responsável, tanto em pessoal, de alta qualificação, quanto em recursos materiais e de pesquisa. Cada universidade membro estimula a participação dos docentes, investigadores, estudantes de graduação e pós-graduação da sua unidade e convoca os participantes das associadas, que tenham interesse nesse núcleo disciplinar. Assim, por exemplo, a UFSCAR, Br coordena o Núcleo de Engenharia dos Materiais, a UNAssunción, Pa, coordena o Núcleo de Farmacologia de Produtos Naturais, a UFRGS, Br, o Núcleo de Sensoriamento Remoto e Meteorologia Aplicada, a UDELAR, Uy, coordena o Núcleo de Virologia Molecular, a UNRosário coordena o ND de Microeletrônica, a UNEntreRíos, o ND de Educação para a Integração, UFParaná, Br, o ND de Avaliação Institucional, a UFSM, Br, coordena o ND de Química Fina, A UNLitoral, Ar, coordena o ND de Planejamento Estratégico e Gestão Universitária, a UNLaPlata, Ar, o ND de Redes Acadêmicas, a UFSC, o ND de Engenharia Mecânica e da Produção e, a UBA, Ar, coordena o ND de Matemática aplicada.
Comitês Acadêmicos
Os Comitês englobam grandes temáticas de caráter estratégico e com característica inter ou multidisciplinar. Atualmente estão funcionando os Comitês de Meio Ambiente, Água como Recurso Regional, Saúde Humana e Animal, Desenvolvimento Tecnológico Regional, Ciências Políticas e Sociais e Desenvolvimento Regional.
Cátedras UNESCO
Quatro Cátedras UNESCO estão conveniadas com a AUGM, a saber:
As Cátedras promovem atividades variadas com a participação dos países membros da AUGM, abertas às demais instituição e ao público em geral. Convidam representantes de países europeus, especialmente Espanha, para envolver-se nas atividades e mantêm convênios com universidades européias para intercâmbio. Em promoção da UNESCO, estas Cátedras, através de seus coordenadores, realizam intercâmbio com suas congêneres, mantêm encontros regulares de avaliação e trocas de experiências. Elas são parte integrante de redes, tal como a UNITWIN.
Jornadas para Jovens Investigadores
A exemplo de um bem sucedido programa dos Salões de Iniciação Científica, realizados em nosso país, com os estudantes de graduação, a AUGM institucionaliza a participação de jovens investigadores (até 30 anos) nas Jornadas. Estas são organizadas desde 1993 e chegam a reunir 200 a 300 pesquisadores em formação para apresentar seus trabalhos, via de regra, dentro das temáticas dos Núcleos Disciplinares. O evento é realizado em um dos países membros. Dele participam investigadores senior também. Os resultados desses encontros são publicados.
Mobilidade Acadêmica
Para que as atividades realmente aconteçam este programa constitui sua espinha dorsal. Mais de 400 investigadores e acadêmicos em geral receberam apoio para participação nos eventos AUGM realizados nos 4 países membros. Deve-se considerar aqui, que este programa vem ao encontro das aspirações dos acadêmicos que desejam a participação mas cujas condições e deficiências salariais não lhes permitiria realizar o intercâmbio.
Este programa tem contado com o apoio parcial da UNESCO.
Contam-se ainda entre as iniciativas da AUGM um Programa de apoio à Universidade Nacional de Asunción, do Paraguay que, desde 1992 pode solicitar pessoal docente e investigadores às demais universidades e um Fundo de Apoio Acadêmico, cuja finalidade é apoiar aqueles que desejam fazer sua capacitação em outro país.
Com isto, tem-se construído o campo acadêmico comum da integração regional. Este é um programa jovem, uma associação de universidades públicas que, na prática se auto-reforçam, somando esforços a partir da oferta de suas melhores capacidades. Observa-se o sucesso dessa formato associativo quando ele é demandado pelas demais universidades. Hoje, muitas instituições, especialmente de caráter privado solicitam seu ingresso na AUGM.
As próximas etapas de consolidação do campo acadêmico comum, vão envolver o Programa de Intercâmbio de Estudantes de Graduação e a construção dos Cursos de Pós-Graduação Conjuntos, amparados pelo Tratado de Assunção.
Nesta fase, a AUGM espera ampliar suas fronteiras, aumentando o número de parcerias internacionais, de formas que o espírito de Córdoba continue perpassando os horizontes de nossas sociedades.
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